AS PESSOAS E AS EMPRESAS
Qual seria o segredo de algumas organizações que contrariam a expectativa média de vida e alcançam uma próspera longevidade? A literatura mostra que somente as empresas que estão vivas pertencem a esta mínima parcela de sobrevivência. As empresas, “vivas”, possuem características quase que, senão, totalmente humanas. Elas “sentem”, “pensam”, “refletem” “questionam” e “redirecionam” os seus objetivos.
Estas empresas apostam na inovação e no aprendizado constante, ao contrário das empresas, ditas “econômicas”, que agem unicamente em função do lucro imediato. Este assunto tem sido debatido e praticado por um grande número de pesquisadores e as comprovações têm sido apresentadas à comunidade acadêmica, sendo este tema pertinente a todo tipo de organização, seja empresarial, privada, estatal ou, até mesmo, educacional.
Uma das escolas responsáveis por este tema é denominada de Escola do Personalismo, uma escola de pensamento fundada por William Stern, um dos pioneiros da psicologia infantil. Seus trabalhos estão todos escritos em língua alemã, motivo pelo qual ele não se tornou muito conhecido.
Por causa de sua maneira de observar e escrever, sobre o comportamento dos seres humanos, seus trabalhos foram varridos da memória por ocasião da ocupação alemã, durante a segunda guerra mundial. Isto incluiu seu nome e a sua reputação. E, nós sabemos que esses fatos são muito comuns de acontecer em situações de estados totalitários, seja na guerra ou no dia-a-dia das empresas e até na rotina da vida.
Para Stern, cada ser vivo tem um todo único, com um caráter próprio que ele denominou persona. Um ser vivo, só pode ser entendido se aquela persona tornar-se evidente, pois ela é a essência do ser vivo, fazendo parte de um mundo maior, embora dele separada por sua “ membrana”. A persona representa, assim, a combinação de corpo e alma.
Ele descreveu uma escada metafórica que teria na base o Indivíduo e a cada degrau em direção ao topo, encontramos, em seqüência, a Família, a Tribo, a Nação e a Divindade Suprema. Ele escreveu isso em 1919 e, provavelmente, se estivesse vivo no mundo atual, acrescentaria alguns degraus abaixo do nível do Indivíduo.
Segundo a sua teoria, um ser vivo tem sempre uma estrutura hierárquica e a escada é a expressão disso e que, sempre há componentes menores dentro de nossa persona, ou seja, somos um quando olhados por fora e subdivididos quando olhados por dentro. Acima do degrau Indivíduo, é onde as pessoas se encontram e se relacionam, formando o conjunto de persona da organização, a personae.
Esta necessidade de relacionamento, para muitos, remete às implicações dessa escada, como alguma coisa amarga. Por isso, uma organização, como entidade viva, está sempre insegura, jamais estável, sempre sujeita às mudanças nos relacionamentos entre ela e o mundo exterior.
A necessidade de cada um para se relacionar, provoca algum tipo de tensão que passa a ser extravasado de alguma maneira, geralmente, no sentido dos subalternos ou dos empregados ou dos alunos e assim por diante. Esta tensão, quando muito forte pode gerar uma crise na organização, com conseqüências imprevisíveis. Geralmente são atitudes que colidem com a ética e a virtude, sem falar dos aspectos legais.
Muitas vezes, o processo de transformação na organização é doloroso e exige um grande esforço, mas sempre o bem triunfa sobre o mal. Esta é a lei da vida. Esta é a lei das Empresas Vivas.
Escrito por zauverissimo às 12h12
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