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Blog de zauverissimo
 


A LENDA DE NARCISO E OS BOBOS DA CORTE

 

A lenda de Narciso, surgida provavelmente da superstição grega segundo a qual contemplar a própria imagem prenunciava má sorte, possui um simbolismo que fez dela uma das mais duradouras da mitologia grega. Narciso era um jovem de singular beleza, filho do deus-rio Céfiso e da ninfa Liríope. No dia de seu nascimento, o adivinho Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura.

Indiferente aos sentimentos alheios, Narciso desprezou o amor da ninfa Eco - segundo outras fontes, do jovem Amantis - e seu egoísmo provocou o castigo dos deuses. Ao observar o reflexo de seu rosto nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela própria imagem e ficou a contemplá-la até consumir-se. A flor conhecida pelo nome de Narciso nasceu, então, no lugar onde ele morreu. A versão tradicional reproduzida por Ovídio, em Metamorfoses, foi transmitida à cultura ocidental por intermédio dos autores renascentistas. Na psiquiatria e particularmente na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição mórbida do indivíduo que tem interesse exagerado pelo próprio corpo. Em outras palavras, gosta e precisa muito, demais, de aparecer, não importa como. E, pior, não consegue perceber o mal que faz às pessoas à sua volta.

Existem estudos sobre o imaginário no contexto da cultura organizacional, com fundamento no conhecimento psicanalítico, cujo conteúdo é marcado pela inquietação de compreender a natureza dos vínculos psicológicos e afetivos que são desenvolvidos na relação indivíduo / organização, em particular, os laços de adesão e lealdade.

E, isto ocorre, através da “descoberta” do inconsciente, revolucionando o saber e a imagem que o homem tem de si e toda a sua complexidade, que envolve sonhos, imaginação, vida sexual e afetiva, decisões, opiniões, idéias sobre o mundo, escolhas profissionais e políticas, fantasmas, símbolos, forças estranhas, correntes secretas, ambivalentes, escorregadias, atemporais e contraditórias que escapam à percepção do sujeito. As organizações, portanto, representam o grande “ninho”, onde o homem vive a maior parte de sua vida e onde tudo acontece.

Assim, como exemplo, existem certos indivíduos que não podem ver um palanque, para dele se apossar e falar alguma coisa para aparecer. Quando isso não causa algum tipo de prejuízo, podemos até fazer vista grossa. Mas certos tipos, ligados à alta administração e que deveriam dar o exemplo, não conseguem perceber o mal que estão fazendo a toda a sociedade e, em particular, ao mercado financeiro.

Recentemente, tivemos dois episódios de declaração pública, cujas conseqüências foram altas consideráveis nos preços das ações de uma determinada empresa. Estas situações indicam atitudes estapafúrdias e grotescas, em sua essência, pois em um momento que o país precisa adquirir o Grau de Investimento da terceira e última agência de qualificação, eventos desta ordem só causam descrédito em um setor que poderia ser mais procurado para investimentos, mas não o é, pela sua fama de risco e especulação.

Se, por um lado, considerarmos o princípio da boa fé, tais atitudes podem vir de pessoas que não entendem coisa alguma. Por outro lado, pode, também, ser puro narcisismo ou pode ser um simples bobo da corte ou as duas coisas ... ou tudo junto.

 

 

 

                                      ******************

COMPLEMENTANDO

 

 

* Para Edison Garcia, superintendente da Associação dos Investidores do Mercado de Capitais ( Amec): “ É preciso disciplinar melhor a situação. As estatais devem ter regras claras de divulgação de informação”.

 

* E, segundo a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela regulação do mercado, Maria Helena Santana: “ existe dificuldade em punir os abusos”.

 

      *  As empresas privadas são fiscalizadas pela CVM e as estatais, não. Pergunta-se, então: E, aí?  Como é que fica a credibilidade do mercado financeiro?

 

      *  A estratégia da comunicação corporativa atende a critérios mínimos de confiabilidade, através da veiculação oficial de seus Balanços Patrimoniais, Resultados Trimestrais e outras informações pertinentes, de forma a permitir, democraticamente, a todos os interessados, como e quando decidir em relação a uma determinada transação financeira. Assim deveria ser, também, em relação às estatais.

 

 

                                               *******************

 

NOTÍCIAS

 

 

       * A semana termina com a bolsa caindo e o dólar subindo. O espectro da inflação ronda o mundo globalizado e as notícias, sejam boatos ou não, não são das melhores. É um momento de deixar as barbas de molho e aguardar.

 

       *  Pode-se até aproveitar a queda das ações e fazer uma compra. Mas, atenção! É necessário conhecer o papel que está se investindo, evitando a aplicação puramente especulativa. Daí a importância de conhecer melhor a empresa, alvo de uma compra, através dos relatórios trimestrais, política de dividendos, fontes de receita e eficiência operacional.

 





Escrito por zauverissimo às 10h53
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