UM DEVER DE CASA MUITO DIFÍCIL
Após a nova condição de Grau de Investimento dada ao Brasil, por apenas uma, das três agências internacionais, ficou acertado um conjunto de objetivos com a finalidade de assegurar tão almejada classificação.
Embora muito já tenha sido feito, existem situações externas e problemas internos, que estão deixando muito a desejar.
No âmbito externo, a alta especulativa do barril de petróleo, uma modalidade de commodity, com grande poder no mercado internacional, acima dos 130 dólares, agravada por evidências de que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) não vai elevar a sua produção diária, só poderá piorar a situação. É claro, se a oferta diminui, o preço só tende a aumentar. Esta é a lei do mercado. Neste cenário, o Brasil consegue apenas uma “casquinha” considerando as reservas petrolíferas e a força do preço das ações da Petrobrás na Bolsa de Valores.
Esta situação nos faz lembrar de um passado não muito distante. Em 1971 ocorreu a desvinculação do dólar ao ouro e em 1973 com a alta exagerada do preço do barril cobrado pela OPEP, houve o choque do petróleo e a introdução do regime de taxas flutuantes nos Estados Unidos. Esta situação, como não poderia deixar de ser, repercutiu aqui, tal qual um efeito dominó.
A situação atual parece ter uma certa semelhança em um grau um pouco mais leve e em um momento em que o país conta com boas reservas, apesar de alguns pesares. Um deles é a nossa dívida externa próxima de cem bilhões de reais. Não falo dos outros para não estragar o seu feriado.
No âmbito interno, as contas tropeçam em algumas pedras difíceis de serem removidas. Com a elevação dos juros básicos para conter a inflação, o perfil da dívida fica prejudicado, pois os investidores externos exigem taxas maiores para a compra de papéis do Tesouro Nacional. São os chamados Títulos Prefixados.
Mesmo assim, o fantasma da inflação continua rondando a todos nós. Quem faz compras em supermercado percebe isto de forma gritante. A previsão do IGP-M deste mês aproxima-se de 1,80% (o IGP-M de abril foi de 0,89%),um percentual, extremamente preocupante, considerando tudo que possa estar atrelado, a este índice.
Os gastos públicos continuam elevados e o governo precisa arrecadar mais para a propaganda eleitoral, argumentando a volta da CPMF, a pretexto de ajudar a saúde. Saúde? Onde? Com isso os impostos continuarão a aumentar forçando a alta dos preços como aconteceu com a gasolina e, principalmente, o diesel, utilizado em larga escala para o transporte de alimentos e demais mercadorias.
Esta situação, fora outras ainda em observação produzirão, certamente, um efeito cascata inevitável, a não ser que o dever de casa seja feito com bastante atenção.
Um bom feriado a todos.
Escrito por zauverissimo às 14h02
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